Por que eu corro?

G4 RJ

Eu corro todos os dias pela manhã e, muitas vezes, também à noite. Quando me perguntam o porquê, digo que é para colocar os pensamentos e a vida em ordem. Podem até achar estranho, mas realmente é verdade. Quando corremos, oxigenamos mais o cérebro. As ideias fluem melhor. Então, é um excelente momento para pensarmos, para tomarmos decisões. Experimentem! E correr funciona como um “remédio” que alivia um mundo cheio de competições e disputas insalubres, que deixam cicatrizes e não levam a lugar algum… Apenas nos envelhece. Correr é reservar um espaço do tempo para cuidar de algo muito importante: eu mesma!

O nosso dia a dia geralmente é trabalho, casa, família e de quebra algumas reclamações, alguns problemas. Claro que tem a parte boa, é óbvio, caso contrário estaríamos todos loucos. Um dia vai, o outro vem e assim seguimos num círculo vicioso. Sim, porque há uma rotina e se não tivermos uma válvula de escape não conseguiremos nos desligar deste ciclo. Correr é ter uma hora no dia para, muitas vezes, falar nada e/ou ouvir nada!

Eu corro para aliviar as tensões, pois, na corrida, o cérebro libera hormônios na corrente sanguínea, como a serotonina e a endorfina, dando a sensação de prazer e bem estar. Isto significa que o nosso humor muda! Eu corro para controlar a raiva, ter assuntos diferentes e variados.  Para reencontrar a essência perdida na marcha dessa evolução cega diária. É uma terapia onde sou, ao mesmo tempo, analista e pessoa a ser analisada. Posso dizer que na maioria das vezes eu espalho boa energia, mas como posso recarregar essa minha bateria? Simples! Para mim, basta correr!

Num mundo onde vivemos coletivamente, onde dividimos funções e não decidimos nada sozinhos, onde, muitas vezes, temos que falar repetidamente as mesmas coisas, onde funções se perdem e onde não sabemos quem faz o que, correr é restabelecer o meu controle, a minha autonomia!

No asfalto, na trilha ou na pista quase tudo o que acontece é de minha responsabilidade. O meu tempo piorou? Não posso culpar o adversário. Eu defino o ritmo, a passada, o planejamento da prova. No momento em que é dada a largada, não dá para dividir a tarefa. Não dá para compartilhar as decisões. Mesmo em um revezamento, as funções estão absolutamente estabelecidas. Correr é reconhecer a minha individualidade. Admitir as minhas fraquezas e valorizar os pontos fortes. Correr é, também, reequilibrar as conquistas, é ter uma atividade em que milésimos de segundos parecem muito.

Eu corro para esvaziar a mente, para reocupá-la, para encontrar outro tema durante o dia. Para estar com um grupo de pessoas que tem interesses em comum e afinidades. Correr é agregador! E ao mesmo tempo um ato tão individual e específico.

No treino ou na prova são raros os que sabem com o que eu trabalho. Só interessa a corrida, a técnica, o estilo, a distância, o tempo e, enfim, a competição. Parece contraditório sair de um ambiente competitivo de trabalho para mergulhar em outro. Mas há uma razão: na corrida não há privilégios, há, sim, um exercício diário de humildade, que sempre me relembra a importância de treinar, de fazer muito para chegar a um resultado. Pode ser que haja dom? Sim, mas a disciplina fala mais alto.

Treinar sério é cansativo, muitas vezes desgasta, dói e são necessárias doses diárias de foco, determinação, força de vontade, insistência, compromisso. Mas se no final de tudo isso você sair com um sorriso no rosto, isto significa que valeu à pena porque você está feliz!

É isso, correr me faz feliz! Correr é um estado profundo de mergulhar em mim mesma para tentar ser uma pessoa melhor.

Cris Fernandez

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2 Responses

  1. Muito bom seu texto, VC falou Td, pratica exercícios faz muito bem pra saúde e correr faz o seu corpo equilibra em TDs os sentidos de bem estar, finalizar ainda com uma massagem sera perfeito!!!

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