Ultramaratona!

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Para uns é o desafio de ir cada vez mais longe. Para outros é o desafio de descobrir os seus próprios limites e ultrapassá-los. Mas seja qual for a sua razão em embarcar neste duro desafio, tenha certeza de que irá aprender duas coisas sobre si mesmo (a): O seu empenho e o seu próprio limite, tanto físicos como mentais, na corrida e na vida.

As longas distâncias seduzem milhares de corredores, mas podem causar um stress único, colocando os mesmos sob o risco de vários problemas, tais como:

Desidratação – Muitas corridas de 100 milhas apresentam uma pesagem obrigatória do corredor, antes da corrida e nos “check points” (postos de controle). Essa medida visa evitar que um corredor desidratado sofra alguma complicação longe de socorro médico. Em algumas provas, uma perda de peso maior do que 7% leva à desclassificação do corredor. O principal problema da desidratação é um colapso (desmaio) do corredor durante a prova, pois a desidratação diminui o volume sanguíneo do paciente que, durante a corrida, se torna insuficiente para um adequado consumo de oxigênio nos tecidos.

Hiponatremia – Diminuição da concentração de sódio no sangue. Os sintomas mais leves são pouco específicos, como por exemplo, cansaço, náuseas e confusão mental. Os sintomas mais graves, porém, podem ser fatais. A hiponatremia ocorre em atletas que não perdem ou até aumentam de peso durante a corrida devido a uma ingestão excessiva de líquidos. Um estudo recomenda a ingestão de 500 mililitros por hora nas ultramaratonas. É claro que essa recomendação não é totalmente efetiva, pois temos de levar em conta a temperatura ambiente, a umidade e as características físicas de cada corredor, mas a quantidade de líquido a ser ingerida é crucial: sendo pouca, desidrata e o excesso leva à hiponatremia.

Complicações renais – A proteína creatino quinase – CK – (específica para quando ocorre uma lesão do músculo cardíaco em ultramaratonistas) deve ser eliminada pelo rim. Um aumento excessivo da função renal pode levar a uma insuficiência renal aguda, que necessita de internamento e, em alguns casos, de hemodiálise.

Bolhas – A bolha não é exclusividade do ultramaratonista. É o resultado do atrito que causa a separação da pele em duas camadas preenchida por líquido. Entre os fatores que predispõem a formação de bolhas estão tênis novos ou muito velhos, longas distâncias, aumentos de velocidade e umidade ou sujidade (pedregulhos, por exemplo) no calçado. Medidas preventivas, como envolver um esparadrapo os pontos mais susceptíveis, escolher adequadamente tênis, lubrificantes e meias com duas camadas e trocar tênis e meias durante a prova, se for necessário, diminuem a incidência das bolhas. Se aparecerem durante a prova, devem ser limpas e drenadas. Realizar um curativo simples com gaze e um penso adesivo em duas camadas (um curativo sobre o outro) para diminuir o atrito no local.

Hematomas subungueais – São os sangramentos que ocorrem debaixo das unhas. Podem ser muito dolorosos e são causados por trauma direto. Se ocorrer um durante a prova, pode ser drenado. Deve ser feita uma boa limpeza da unha com anti-séptico e, com uma agulha estéril (ou um alfinete esterilizado), faz-se uma perfuração na unha até que o sangue comece a sair. Após a drenagem, o corredor consegue continuar.

Dentre esses e mais alguns, não há dúvidas que a realização de terminar uma prova dessa proporção é motivador. Mas como toda e qualquer prova, requer treino, mesmo se o seu objetivo for somente completá-la.

A disciplina começa nesse momento… Treinar com chuva, com sol, no frio ou no calor. Você não sabe que condições climáticas irá encontrar no dia da competição. Em uma mesma prova, eu já passei por 45°, 5° e chuva de granizo! Outro fator fundamental é a ingestão de alimentos e nutrientes durante o treino, assim como durante a prova. E ainda tem a parte mental. Treinar sozinho por horas, treinar num mesmo local por horas fazem parte do preparo, pois é certo você passar por isso em ultramaratonas.

O tempo que levará para ingressar numa prova dessa é variável. Depende do organismo de cada um, da adaptação de cada um, da disciplina, do foco, da vontade! Mas deixo claro aqui que se engana quem pensa que ser ultramaratonista é sinônimo de ser uma pessoa mais lenta. Os treinos devem ser variados. Você tem que ter a consciência e estratégia de saber quando imprimir velocidade ou não. E o seu corpo tem que estar preparado para isso. Então, treinos de tiros têm que ser feitos também.

Você quer participar? Treine! Já vi muita gente desistindo no meio do caminho. Você quer resultado? Treine mais ainda! E não caia no comodismo de ficar satisfeito, nem no desânimo caso não tenha conseguido. O sucesso é a soma de pequenos esforços repetidos dia sim e no outro dia também! Se é o que realmente você quer, se é o que ama fazer, faça e se entregue!

Tenha em mente que a competição nunca é contra os outros, é contra nós mesmos, pois a vitória é uma questão de mérito próprio e não de culpa de quem perdeu. Lutamos contra o cansaço, contra a fome, contra o desânimo e às vezes contra o desamparo de estarmos sozinhos em treinos ou em provas. Temos que viver cada dia, cada treino… Precisamos de força, de velocidade, de foco e de vontade… E ainda fibra e compromisso! Acrescente coração, mente, controle, calma, fúria, insistência, apoio e amor incondicional de quem suporta seu coração para que ele possa manter seu corpo forte e sua cabeça erguida.

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